6 de janeiro de 2013

a pipa, o céu e os meninos

Era uma vez um menino. Um menino que tinha uma pipa. A pipa mais bonita que ele já vira era aquela.
Assim que ganhou, o menino brincava muito de soltar a pipa. Gostava de sair pra brincar na rua com as outras crianças e não esconder de ninguém que, na verdade, a brincadeira preferida dele era aquela que não precisava de nada além dele, da pipa e do céu aberto.
Com o tempo, a brincadeira foi ficando repetitiva. Todo dia o mesmo céu. Todo dia a mesma pipa. Por mais que fosse feita com o mais belo papel de seda e com gravetos mais bem envergados, o menino cansou de soltá-la.
Continuou indo pra rua com a pipa. Levava-a e a deixava num canto, ali perto, onde ele pudesse a ver, e ia brincar com outra coisa.
Um dia, passou um outro menino e viu a pipa. Ele a pegou, a examinou, a admirou e pensou que aquela era a pipa mais bonita que ele vira. Resolveu soltá-la.
No meio da brincadeira, no meio da criançada, o dono da pipa percebeu que outro menino soltava a sua pipa. Soltava a pipa mais bonita que havia visto na vida.
Rapidamente se posicionou. Tirou a linha da mão do menino, recolheu sua pipa, e, abraçando-a com força, a  ponto de rachar seus gravetos, a declarou sua. Dizia que, não fosse ele, ninguém mais podia soltar a pipa.
Então, ele levou a pipa pra casa. E lá ficou, exposta no seu quarto.
Sem menino e sem céu aberto. Lá ficou, onde ninguém -  nem mesmo seu dono -  a poderia soltar.
E a pipa mais bonita que havíamos visto nunca mais pôde ser pipa.

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