6 de novembro de 2013

from grapes to raisins

from the words never said
to the thoughts always shared.
from the love that is there
to the mutual feelings that bare.
from the patient comprehension 
to the pride that drifts us apart.
from the wrong impression 
to the honesty from the start.

they say sticks and stones may hurt your bones but words will never hurt you,
I say love is definitely not blind

30 de outubro de 2013

coração-na-boca FM - 169mhz



                                         os pensamentos que me vêm
                                         não podem ser explícitos
                                         em rede social e/ou baianal nenhuma
                                         nem através dança e/ou música
                                         nem por caneta rabiscando no caderno
                                       
                                         os pensamentos que me vêem
                                         deduram os sentimentos que euvocênósdois tem
                                         

9 de outubro de 2013

esse amor fantasia












fecho os olhos e vejo
movimentos furta-cor
sinto queimando amor
que parece não ter fim

mas amor é loucura
loucura louca, pinel
de onde sai tinta e pincel
pr'eu te pintar só pra mim.

6 de outubro de 2013

esse amor óxido-de-ferro

consigo perceber a química,
como se explicasse essa atração:
ele e sua rocha magnetita
 se passando  por coração
ela com a pele feito um ímã
evitando qualquer explicação

consigo perceber aqui, Mica.

4 de outubro de 2013

esse amor ilimitado

como amo?

como vejo
como falo
como ando
como danço
como canto
como ensino
como cheiro
como ouço
como provo

o seu gosto

como néctar 
como algodão
como doce 

como se fosse
como se pudesse
como se deixasse

como (se deixares).

3 de setembro de 2013

E T. - telefone - minha casa

esperava, impaciente
o momento certo
quando só batia de frente
com o muro (des)concreto

de voltas: cinco, seis, sete -
pensando em como escapulir.
os pés no chão feito chiclete
e um certo medo de fugir

respirou fundo
subiu no muro
e,  olhando esse mundo,
viu tudo escuro

sem saber bem ao certo
para que lado cair,
olhou firme para o céu
afim de se decidir.

"Santo Antônio padroeiro,
manda mensagem pro meu mundo
diz que não sou mais guerreiro,
que esse buraco tá fundo."
que lhe trouxe um brigadeiro
e viu-lhe forte num segundo.

23 de agosto de 2013

espere a primavera, Bandini



O leite derramado 
ilumina 
o escuro entrevado,
seguro
de que tudo é passado.
E o presente
pinta um futuro despertado.




3 de agosto de 2013

me dê uns copos para quebrar

Raiva 
Que me tira as palavras
Que enche o pote de mágoas 
Que me empurra em direção a janela

Raiva que cala
Raiva que rouba
Raiva que cega

Raiva que me tira de mim
Que desenha o fim

3 de julho de 2013

recrutatu, recrutami, recrutares

Uma guerra começa assim
Conflitos e delitos que ofuscam a visão
Murmúrios pelos cantos que preveem a explosão
De repente, abre-se um abismo

A razão, do lado oposto da emoção, perdeu-se
O tesão acabou
A água evaporou
A porta bateu
O peito doeu
Ferida se abriu
A ponte partiu
Escada caiu

Cadê?

O suor escorreu, pingou, secou
A poeira subiu, espalhou, baixou
Chuva caiu, terra chupou
A lua sorriu, cresceu e encheu
Ferida que abriu já cicatrizou
O sol que se foi, deu a volta, nasceu


Uma guerra termina assim
Me levando pra longe, pra mais perto de mim

10 de junho de 2013

call me back tomorrow

bloody sunday
drenched in left over wine
cold as an iceberg
waiting to be crashed into

night comes quick
hope lights up
here comes monday
waiting to be called bright


20 de maio de 2013

novelha

cheiro de coisa nova
cara de coisa velha
corpo de gente nova
olhar de gente velha

naquela casa nova
toca uma canção velha
com uma visão nova
muda uma idéia velha

chega com vida nova
sentindo vontade velha
vendo de uma posição nova
um monte de coisa velha


10 de maio de 2013

o vento nosso de cada outono nos dai hoje

E então, quando a paz comigo mesma parecia inalcançável, ligeiramente saí.
Saí.
Tropeçando nos afazeres deixados de lado - por conta do momento de desespero estabanado,
catando cavaco pelo meio-fio ainda revirado,
por vezes ajeitando o cachecol e o meu cabelo desarrumado.
Saí em direção ao compromisso mais-que-indesejado,
tentando deixar (mas não muito) a guerra interna de lado.

E foi nesse corre-corre de meio-outono que me veio
a vida
de volta:

O vento
que bate
no rosto,
que demarca
meus traços
e puxa p'ra trás
meus cachos.
O vento
que bate
gelado
e que, mesmo
calado,
me desfaz os laços.

Sorrio.
Suspiro.
Sinto-me em paz.

Buzina - acordo.
Corro.
Chego.
Em paz.


4 de maio de 2013

espero lá fora

no samba,
na rua,
no riso,
na praia,
na festa,
no cinema,
na trilha,
no céu estrelado -
penso em você,
quero você,
sonho você.

e você?
embrulhado,
entocado,
amargado,
embaralhado,
enfurnado,
esquecendo-se de viver
fora dessa cápsula
que mais lhe prende do que afaga.
que mais lhe esconde do que repara.
que mais me perde do que ampara.

fique aí. fique bem, esteja pronto pra sair também.
eu espero lá fora.
mas vê se não demora.

1 de maio de 2013

aqui

a comida não engolida
o beijo que ficou no ar
o e-mail não respondido
a espera do que não vai chegar

a gente roda, roda, roda
sem saber como parar.
porque sou um carro velho -
tá arriscado não querer ligar

volto, cuspo a comida,
tomo de volta o beijo,
ignoro a conta de e-mail,
tomo outro caminho pra lá.

lá eu chego
lá eu olho
lá eu vejo
lá eu choro
lá me beijo
lá sou meu próprio colo




22 de março de 2013

saudade descabida

sinto sua falta ao meu lado.
sinto sua falta dentro de mim.
não fisicamente falando.

sinto sua falta nos meus pensamentos
sinto sua falta quando estou com vontade de fugir,
quando me sinto um estranho no ninho.

sinto sua falta no fim do dia,
quando procuro fazer algo para relaxar,
quando vou à locadora procurar um filme que você possa gostar.

sinto sua falta nos papos despretensiosos
e na minha vontade de não fazer nada produtivo.
sinto sua falta nas festas,
quando sonho com alguém a dançar comigo.

sinto sua falta quando quero que algo me faça rir,
espontaneamente,
quando te abraço de madrugada e você nem sente.

sinto sua falta.
dentro de mim, sinto sua falta.
não fisicamente falando.
mas quando o meu coração bate
e parece estar se esvaziando.

13 de março de 2013

feline

wish I was a cat
to watch the night
and wait for it to turn white.
and when the sun came out,
I'd look for a shade
and sleep tight.
until everything's alright.
until my nightmares go out of sight
and I could sway under the moonlight.

10 de março de 2013

é preciso cortar o cordão

finalmente chegou
dia dez de março.

a semana vai se arrastar feito um caramujo
se ninguém me segurar, se bobear, eu fujo.

e quando, finalmente,
o dia vinte chegar
trago de volta a esperança de que tudo vai passar.

5 de março de 2013

fazendo a xepa

tentar me entender
é irrelevante.
querer me escutar
é o suficiente.
perceber que não és a única pessoa que passa por tempos difíceis
é fundamental.
cagar para tudo que eu acabei de dizer
é direito teu.

mas espere de mim somente a recíproca.

o resto é lucro.
o resto vem de brinde.
o resto é o amor que restou.

24 de fevereiro de 2013

de alma em alma a galinha enche o papo

as coisas
que me fazem amar menos
que me tiram do sério
que me traem a confiança
que me levantam questionamentos
que me batem, que fazem arder por dentro

as coisas que me levam pra longe -
pra mais longe do que eu queria ser.

pra mais longe de você.

sobrou pra mim o bagaço da laranja


15 de fevereiro de 2013

indigestão inevitável

foi assim, pisando em ovos comigo mesma, que fiz um omelete.
não dá pra comer. tá estragado.

9 de fevereiro de 2013

home is where your heart is (and it's not here)

procurei meu coração
aqui e lá
vi se estava pelo chão
mas não consegui achar
no meio da multidão
não deve parar de sambar,
se esbanjando de paixão
só esqueceu de me chamar

31 de janeiro de 2013

pegando jacaré

evitando certos assuntos,
me esquivando de algumas pessoas,
afogada nos meus próprios devaneios.

pisando em ovos comigo mesma,
me mantenho na superfície.

com medo do escuro das profundezas do meu próprio ser,
espero, paciente, a onda perfeita.

e assim:
como se, pra sair, precisasse pegar jacaré,
fico aqui dependente da maré.

26 de janeiro de 2013

de ovário pra ovário

mulheres fascinantes conheço aos montes. muitas delas.
as que não conheço, carrego na alma
e, de preferência, nas cordas vocais.

#tocaqueeucanto




25 de janeiro de 2013

inconscientemente um corpo só

momentos em que
eu, você,
meu corpo, seu corpo
são domados pela consciência.

momentos em que
eu, você,
minha consciência, sua consciência
relutam contra toda uma necessidade.

necessecidade de sentir,
pele na pele,
todo o amor que se transmite pelo olhar.

necessidade de pedir,
olho no olho,
um abraço de nunca mais soltar.



mas cá estão meus braços,
amarrados pela consciência
de que só este abraço nunca saciaria qualquer necessidade.

10 de janeiro de 2013

cadê?

eu quero
mato
quero
céu
quero
água
quero
rosi
quero
tempo
quero
quero-quero
quero
eu

6 de janeiro de 2013

a pipa, o céu e os meninos

Era uma vez um menino. Um menino que tinha uma pipa. A pipa mais bonita que ele já vira era aquela.
Assim que ganhou, o menino brincava muito de soltar a pipa. Gostava de sair pra brincar na rua com as outras crianças e não esconder de ninguém que, na verdade, a brincadeira preferida dele era aquela que não precisava de nada além dele, da pipa e do céu aberto.
Com o tempo, a brincadeira foi ficando repetitiva. Todo dia o mesmo céu. Todo dia a mesma pipa. Por mais que fosse feita com o mais belo papel de seda e com gravetos mais bem envergados, o menino cansou de soltá-la.
Continuou indo pra rua com a pipa. Levava-a e a deixava num canto, ali perto, onde ele pudesse a ver, e ia brincar com outra coisa.
Um dia, passou um outro menino e viu a pipa. Ele a pegou, a examinou, a admirou e pensou que aquela era a pipa mais bonita que ele vira. Resolveu soltá-la.
No meio da brincadeira, no meio da criançada, o dono da pipa percebeu que outro menino soltava a sua pipa. Soltava a pipa mais bonita que havia visto na vida.
Rapidamente se posicionou. Tirou a linha da mão do menino, recolheu sua pipa, e, abraçando-a com força, a  ponto de rachar seus gravetos, a declarou sua. Dizia que, não fosse ele, ninguém mais podia soltar a pipa.
Então, ele levou a pipa pra casa. E lá ficou, exposta no seu quarto.
Sem menino e sem céu aberto. Lá ficou, onde ninguém -  nem mesmo seu dono -  a poderia soltar.
E a pipa mais bonita que havíamos visto nunca mais pôde ser pipa.

2 de janeiro de 2013

receita da Tia Cecília

uma calcinha azul
pra me manter tranquila
uma calcinha vermelha
pra eu ficar ardente
uma calcinha amarela
pra me deixar mais ryka
uma calcinha branca 
pra preservar minha paz
uma calcinha cor-de-rosa
pra me envolver de amor
e, por cima de tudo,  uma calcinha verde
pra que a esperança nunca me deixe deixar de acreditar que este ano será ainda melhor.

e que venha 2013

sem calcinha.

;*