31 de janeiro de 2013

pegando jacaré

evitando certos assuntos,
me esquivando de algumas pessoas,
afogada nos meus próprios devaneios.

pisando em ovos comigo mesma,
me mantenho na superfície.

com medo do escuro das profundezas do meu próprio ser,
espero, paciente, a onda perfeita.

e assim:
como se, pra sair, precisasse pegar jacaré,
fico aqui dependente da maré.

26 de janeiro de 2013

de ovário pra ovário

mulheres fascinantes conheço aos montes. muitas delas.
as que não conheço, carrego na alma
e, de preferência, nas cordas vocais.

#tocaqueeucanto




25 de janeiro de 2013

inconscientemente um corpo só

momentos em que
eu, você,
meu corpo, seu corpo
são domados pela consciência.

momentos em que
eu, você,
minha consciência, sua consciência
relutam contra toda uma necessidade.

necessecidade de sentir,
pele na pele,
todo o amor que se transmite pelo olhar.

necessidade de pedir,
olho no olho,
um abraço de nunca mais soltar.



mas cá estão meus braços,
amarrados pela consciência
de que só este abraço nunca saciaria qualquer necessidade.

10 de janeiro de 2013

cadê?

eu quero
mato
quero
céu
quero
água
quero
rosi
quero
tempo
quero
quero-quero
quero
eu

6 de janeiro de 2013

a pipa, o céu e os meninos

Era uma vez um menino. Um menino que tinha uma pipa. A pipa mais bonita que ele já vira era aquela.
Assim que ganhou, o menino brincava muito de soltar a pipa. Gostava de sair pra brincar na rua com as outras crianças e não esconder de ninguém que, na verdade, a brincadeira preferida dele era aquela que não precisava de nada além dele, da pipa e do céu aberto.
Com o tempo, a brincadeira foi ficando repetitiva. Todo dia o mesmo céu. Todo dia a mesma pipa. Por mais que fosse feita com o mais belo papel de seda e com gravetos mais bem envergados, o menino cansou de soltá-la.
Continuou indo pra rua com a pipa. Levava-a e a deixava num canto, ali perto, onde ele pudesse a ver, e ia brincar com outra coisa.
Um dia, passou um outro menino e viu a pipa. Ele a pegou, a examinou, a admirou e pensou que aquela era a pipa mais bonita que ele vira. Resolveu soltá-la.
No meio da brincadeira, no meio da criançada, o dono da pipa percebeu que outro menino soltava a sua pipa. Soltava a pipa mais bonita que havia visto na vida.
Rapidamente se posicionou. Tirou a linha da mão do menino, recolheu sua pipa, e, abraçando-a com força, a  ponto de rachar seus gravetos, a declarou sua. Dizia que, não fosse ele, ninguém mais podia soltar a pipa.
Então, ele levou a pipa pra casa. E lá ficou, exposta no seu quarto.
Sem menino e sem céu aberto. Lá ficou, onde ninguém -  nem mesmo seu dono -  a poderia soltar.
E a pipa mais bonita que havíamos visto nunca mais pôde ser pipa.

2 de janeiro de 2013

receita da Tia Cecília

uma calcinha azul
pra me manter tranquila
uma calcinha vermelha
pra eu ficar ardente
uma calcinha amarela
pra me deixar mais ryka
uma calcinha branca 
pra preservar minha paz
uma calcinha cor-de-rosa
pra me envolver de amor
e, por cima de tudo,  uma calcinha verde
pra que a esperança nunca me deixe deixar de acreditar que este ano será ainda melhor.

e que venha 2013

sem calcinha.

;*